Estranho seria se eu não lembrasse... 16 de fevereiro de 2006, 10hs da manhã. Era sexta-feira de Carnaval. Talvez ninguém me reconhecesse se voltasse um ano e me olhasse no chão do banheiro, horrível e inchada de tanto chorar (esqueçam os que já me viram chorando como uma lady... a classe eu recuperei depois desse dia).
Pra mim é um ano de independência. Na época significava tanto e hoje eu olho e não vejo nada... nem o por quê. Mas não é assim com todos os amores?
Hoje me pergunto como aguentei tanto... como eu faço perguntas e eu mesmo respondo, adianto: porque eu acreditava. E porque o amor é burro como uma topeira cega que se guia pelo cheiro... mas obedece instintos (coisa que eu não fazia).
Dizem que nem tudo foi tempo perdido... eu levei um tempo pra ver isso. Não posso dizer que já acredito que a mudança seja pra melhor. A Ju colocou o dedo na ferida entre um gole e outro de café e um rio de lágrimas há quase um ano atrás: 'eu gosto mais do que tu é hoje'. Diz ela que eu dominava a arte de patrolar pessoas como ninguém, que era como eu bem queria e entendia... que eu caminhava de salto fino em cima de algumas pessoas... e que a dor me ensinou a ser um pouco mais humana. Tenho meus motivos pra acreditar que ela falou em mais humana por bondade... ela queria mesmo era falar que eu tinha virado gente, enfim. Que agora eu entendia um pouco de dor e sofrimento... e que o respeito por essas pessoas vinha disso também. Respeito que tenho ainda pelos sentimentos... e que me indiguina quando falta.
Foram dias complicados... meses, na verdade. Então há um ano atrás eu fui pro Revival, saí do carro sozinha e tendo os amigos mais legais do mundo, ví eles entrarem correndo na garagem com uma garrafa de Vodka pra fins de anestesia e abraços sem perguntas. Há um ano atrás eu ouvia Legião também naquele bar.
Um ano de liberdade conquistada. Tudo diferente... talvez pra melhor. Saudade da segurança que minha indiferença impunha. Descobri que tenho um coração e acho que fiquei humana demais. O coração é burro... demais.

well, maybe there's a god above







